terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Exportações agrícolas brasileiras sofrem pressões na União Europeia


País enfrenta dificuldades para ampliar embarques, diz Wagner Rossi


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No mercado americano, Brasil também sofre restrições, mas em relação ao etanol de cana-de-açúcar
O Brasil enfrenta dificuldades para ampliar suas exportações agrícolas para a União Europeia (UE) devido a pressões dos produtores nos países do bloco, disse hoje o ministro da Agricultura Wagner Rossi

Apesar de ter um peso econômico menor, o setoragropecuário tem força política nos países europeus, "onde fazem muita pressão", afirmou o ministro na última quinta-feira (12/08). O Brasil é um dos maiores provedores agrícolas mundiais, mas a crise econômica mundial fez com que a Europa "apertasse o cinto" e reduzisse sua demanda, acrescentou Rossi. 

O governo brasileiro confia em que um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a UE possa colocar um fim às restrições europeias às exportações agrícolas do país. As negociações para esse acordo foram retomadas recentemente após vários anos estagnadas, mas ainda sofrem a pressão dos produtores agrícolas brasileiros. 

Com relação aos Estados Unidos, Rossi lamentou a falta de acordos que facilitem o comércio em alguns casos específicos, em referência principalmente ao etanol. Para o ministro, apesar de ser mais econômico e produtivo, o etanol de cana-de-açúcar do Brasil sofre restrições no mercado americano, que produz o biocombustível a base de milho e mantém "certo grau de protecionismo". 

Rossi também se referiu às limitações que o setor agropecuário enfrenta como consequência da valorização do real frente ao dólar. Segundo ele, apesar de "ganhar em produção, o Brasil perde na comercialização internacional" pela valorização de sua moeda frente ao dólar. 
Meio ambiente
O Brasil exportou US$ 68 bilhões em produtos agropecuários entre julho do ano passado e junho de 2010, número que não chega a bater o recorde de 2008 (julho de 2007 e junho de 2008), com US$ 71,9 bilhões. "O clima e o preço de produtos como o café e a soja são fatores que não podemos controlar, mas em um ano normal nós passaríamos esse recorde de exportação", explicou Rossi. 

A agropecuária constitui 26% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 42% de suas exportações, que têm 215 países como destino. O ministro destacou igualmente que a agropecuária brasileira e o respeito ao meio ambiente não são incompatíveis e que "o Brasil é o único país que tem as condições de duplicar a produção agrícola sem cortar uma árvore". 

O país investiu R$ 2 bilhões na criação do programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), dirigido a recuperar terras rurais degradadas e a integrar a agricultura e as áreas florestais. 

Além disso, Rossi enfatizou a necessidade de apoiar a agricultura familiar, já que uma porcentagem dessa produção em pequena escala contribui na agricultura do país, sobretudo no norte. "A complementação entre os dois tipos de agricultura (familiar e empresarial) permitiu uma redução dos problemas sociais (em zonas rurais)", comentou. 

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